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Cosmetic InnovationRadarApós coreanos e japoneses, os Estados Unidos se rendem aos produtos de beleza alemães

Após coreanos e japoneses, os Estados Unidos se rendem aos produtos de beleza alemães

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O ritual de beleza coreano nos deixou vidradas em cremes BB e géis de limpeza desse país. Do Japão, vieram os benefícios das essências japonesas e dos ingredientes do saquê que nos conquistaram. Depois, nos sentimos compelidas a pegar o passaporte da beleza e continuar a jornada em busca do próximo país. E o encontramos: a Alemanha.

Nos últimos cinco anos, as marcas alemãs de produtos de beleza passaram a ocupar quase todos os corredores de cosméticos, incluindo tanto grandes redes de supermercados como lojas mais exclusivas.

Mas, diferentemente da onda coreana, por exemplo, que começou após um esforço coordenado do governo da Coreia para comercializar suas marcas fora do país, o sucesso dos produtos alemães tem menos o propósito de conhecer um novo tipo de rotina de beleza do que o de tornar os produtos de beleza naturais – um universo confuso e com muitas definições conflitantes – mais acessíveis.

“Nossos consumidores apreciam que o mercado de beleza da Alemanha siga os padrões europeus de pureza e ausência de ingredientes tóxicos, o que automaticamente significa que os produtos estão livres de muitas toxinas”, esclareceu Jessica Richards, fundadora da influente butique ShenBeauty, na cidade de Nova York. As marcas alemãs também costumam utilizar embalagens minimalistas e diretas, o que é uma vantagem nos corredores de produtos de beleza de hoje em dia.

Cassandra Grey, fundadora da Violet Grey, loja de produtos de beleza de luxo em Los Angeles, é ainda mais enfática: “Agora, os consumidores procuram pela frase ‘Feito na Alemanha’ impressa nos produtos da mesma maneira que buscamos pelo selo ‘orgânico’ nos tomates.” As três linhas de cuidado com a pele que mais vendem em sua loja são da Alemanha.

No contexto alemão, um tratamento para a pele natural e efetivo pode significar uma abordagem baseada na agricultura orgânica, como é o caso da Weleda, pioneira no mercado natural de cosméticos, com raízes suíço-alemãs, fundada em 1921; e a Dr. Hauschka, linha natural de cosméticos e produtos de cuidados para a pele no mercado desde 1967. Ambas tiveram décadas para construir suas fazendas biodinâmicas, laboratórios e processos de produção.

“Temos muito controle sobre os ingredientes que usamos, o que é crucial para uma marca de beleza natural. Você não sabe aonde algumas dessas empresas vão buscar os ingredientes naturais para os produtos delas”, observou Rob Keen, presidente da Weleda na América do Norte.

A Weleda está ressurgindo nos Estados Unidos e ganhando seguidores proeminentes com o clássico hidratante de nutrição para a pele SkinFood – Cuidado Nutritivo Essencial (18,99 dólares, ou 75 reais), produto básico para muitos maquiadores renomados e, segundo a revista “InStyle”, para Rihanna, Julia Roberts e Victoria Beckham, entre outras.

Ano passado, as vendas nos Estados Unidos cresceram 19 por cento, contou Keen. (Segundo a Spinsand Nielsen, empresa de pesquisa de mercado, as marcas alemãs naturais de cuidados pessoais cresceram 13 por cento nos Estados Unidos, em comparação com os 11 por cento de crescimento observados em todas as outras marcas naturais combinadas.)

E, apesar de o governo alemão não ajudar o mercado dessas empresas fora do território nacional, “o país definitivamente apoia a agricultura biodinâmica e essa ideia de sustentabilidade. Se você analisar diferentes categorias e negócios na Alemanha, verá que o foco recai na qualidade e na integridade do ingrediente”, argumentou Martina Joseph, presidente da linha de tratamento para a pele da Dr. Hauschka.

Para clientes mais exigentes, contudo, as marcas mais atraentes são aquelas que, além de fórmulas naturais, oferecem também uma nova forma de ciência, o que inclui as queridinhas alemãs Augustinus Bader, Dr. Barbara Sturm e Royal Fern de cuidados para a pele.

Timm Golueke, dermatologista de Munique responsável pela Royal Fern, caracteriza sua linha, que inclui um ingrediente patenteado feito a partir do extrato de samambaia, como “a união do bem-estar com a engenharia alemã”.

Ele destaca que as marcas alemãs são particularmente transparentes. A embalagem é franca, os ingredientes são apresentados de forma clara e as promessas são corroboradas pela ciência (no caso dele, sua patente e décadas clinicando como dermatologista).

“Os pacientes que atendo em Londres e na Alemanha querem a mesma coisa: tratamento para a pele que funcione e produtos não tóxicos. E é nesse universo que as marcas alemãs estão ganhando confiança”, contou Golueke.

Como varejista, Marla Beck, cofundadora e presidente da Bluemercury, rede de lojas de produtos de beleza, ficou convencida. “O mercado de beleza alemão é conhecido por formulações naturais fundamentadas cientificamente que proporcionam resultados altamente eficazes”, afirmou, registrando uma admiração especial pelo sérum iluminador da Dr. Barbara Sturm, com extrato de broto de agrião e partículas luminosas que conferem brilho. (A Bluemercury é a maior revendedora de produtos Dr. Barbara Sturm nos Estados Unidos.)

Beck também mencionou a alta qualidade dos ingredientes, especialmente importante para consumidores que desembolsam 310 dólares (1.220 reais) pelo sérum iluminador, por exemplo.

Barbara Sturm, médica atuante na área de medicina estética em Düsseldorf, Alemanha, virou o assunto principal nas redes sociais graças às criações personalizadas de cremes que trazem, misturado aos ingredientes, sangue retirado dos pacientes. Ela concebeu a tão aclamada linha baseada na filosofia de eliminar todos os ingredientes prejudiciais.

“Produtos de beleza natural, no meu entender, não são tóxicos, não irritam a pele e não são inflamatórios. Eles estão no centro da minha abordagem para curar a pele”, esclareceu Sturm.

Há também o professor e cientista AugustinusBader, que fundou, há dois anos, uma linha de cuidados para a pele que leva seu nome. Segundo informou a empresa, no ano passado apenas dois produtos foram responsáveis pela receita de seis milhões de dólares (23,7 milhões de reais) da marca, os hidratantes Cream e Rich Cream.

Em fevereiro, a empresa nomeou uma nova presidente, Maureen Case, veterana da marca Estée Lauder, e tem planos de introduzir novos produtos no meio do ano.

Bader, que carrega importantes credenciais como cientista na pesquisa com células-tronco, levou anos para desenvolver os dois produtos. Para conceber as fórmulas, utilizou o ponto de vista da epigenética – ou seja, usou ingredientes para estimular a reparação de sinais dentro do corpo.

“As células-tronco funcionam, mas muito devagar. Pensei: ‘Como posso usar os próprios mecanismos de restauração do corpo?’ Temos um tipo de relógio interno que, à medida que nossa pele envelhece, bloqueia esses mecanismos. Minha ideia aqui é que podemos ativar a regeneração da pele com os estímulos certos. É um tipo diferente de tratamento”, ensinou Bader.

Uma última mensagem de Sturm. Apesar do embalo em torno de sua marca, ela adverte que o momento propício dos produtos de beleza alemães é um conceito de marketing e que a nacionalidade não garante a pureza do produto.

“Cuidados com a pele não são como os Jogos Olímpicos”, concluiu.

Fonte: New York Times/Zero Hora 22.04.2019

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