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Cosmetic InnovationDestaque Empresas & NegóciosExecutivo com passagem pela Natura e Flora, assume comando da Avon no Brasil

Executivo com passagem pela Natura e Flora, assume comando da Avon no Brasil

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Marino terá desafio de reverter a retração nas vendas da subsidiária

A Avon escolheu José Vicente Marino para comandar a reestruturação da subsidiária no Brasil, o principal mercado da multinacional fundada nos Estados Unidos. Atualmente, o executivo preside a Flora, controlada pela J&F Investimentos, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A empresa detém marcas como Ox, Neutrox e Francis.

Marino é considerado uma escolha estratégia devido aos sete anos que passou na Natura, onde foi responsável pelas vice-presidências de marcas, marketing e vendas. Antes, presidiu a divisão de consumo da Johnson & Johnson no país.

“Será um imenso desafio comandar a operação da Avon no país. Será um orgulho integrar uma empresa líder mundial em vendas diretas de cosméticos e referência na defesa do empreendedorismo feminino”, afirmou o executivo. Ele começará na Avon em setembro e deverá ficar até o próximo mês na Flora.

Marino substituirá David Legher, que deixará o cargo após seis anos na liderança da filial no país. O desafio será adaptar a Avon à nova realidade de competição no mercado de produtos de beleza, em especial a chamada “multicanalidade” – operação em canais de distribuição diversos, como lojas físicas e internet. Nos últimos anos, rivais do varejo tradicional, como o Grupo Boticário, entraram na venda direta, e a Natura, que usava exclusivamente suas consultoras para chegar ao consumidor, começou a investir em lojas físicas – tem hoje 19 unidades próprias – e no comércio eletrônico.

Na Flora, Marino comandou uma reestruturação nos últimos três anos. Em 2017, a empresa da família Batista registrou o primeiro lucro operacional no período. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) dobrou, chegando a R$ 63,5 milhões no ano passado.

Jan Zijderveld, presidente global da Avon, afirmou ontem em comunicado que “a experiência em vendas diretas, o profundo conhecimento do mercado brasileiro e do setor de consumo [do novo executivo] agregarão uma tremenda energia para acelerar nossas oportunidades de negócios no Brasil”. A subsidiária enfrenta queda na receita há alguns trimestres.

Segundo levantamento da empresa de pesquisas Euromonitor, as vendas da Avon no país somaram US$ 1,8 bilhão em 2017 – a multinacional americana não divulga sua receita no país.

De acordo com uma fonte do setor, a companhia precisa fazer ajustes para estimular a produtividade de suas revendedoras – um contingente de 1,5 milhão de pessoas. “As mulheres precisam tornar-se líderes de uma rede e ser incentivadas para que a produtividade aumente”, afirmou a fonte.

Aumentar a eficiência logística também é essencial, assim como integrar a operação de vendas diretas com o mundo digital, usando as redes sociais.

Em teleconferência com analistas de mercado no dia 2 de agosto, Zijderveld disse que o Brasil “foi um empecilho para os resultados do segundo trimestre.”

De abril a junho, os 11 dias de greve dos caminhoneiros colaboraram para queda de 6% na receita líquida global da empresa, para US$ 1,26 bilhão. No Brasil, a receita em dólar teve retração de 13% – se considerada moeda constante, o recuo foi de 2%.

Fonte: Valor

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