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Influenciadores digitais são alvo de estudo da FAAP

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Ter seguidores falsos é algo inevitável para os influenciadores digitais. É o que aponta o novo estudo desenvolvido pelo Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), que analisou 25 importantes influenciadoras digitais da área de moda, beleza e qualidade de vida. Os dados foram coletados por uma ferramenta de inteligência artificial durante o mês de junho.

O estudo mostra que os influenciadores digitais, independente do nível de abrangência, possuem cerca de 15% e até 25% de seus seguidores formados por perfis falsos ou que utilizam ferramentas para gerar interações automatizadas.  É um percentual razoavelmente alto, de acordo com o professor Eric Messa, coordenador do NiMD.

“Esses dados apontam para a hipótese de que a existência de contas falsas (fake followers) é uma constante que não se pode evitar, seja para influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores ou mesmo para os menores, com até 10 mil”, destaca. Mas o especialista alerta que a existência de seguidores falsos não é uma prova concreta de compra de fake followers. “Para que passem despercebidas, contas falsas começam a seguir influenciadores por iniciativa própria”, diz.

Nesse sentido, o professor Eric Messa reforça que o volume de seguidores de um influenciador digital não é uma boa métrica para medir a possível interação, repercussão ou o alcance de uma publicação. Para isso, segundo ele, existem métricas mais eficazes como a de engajamento, ou seja, percentual de seguidores que costumam curtir ou comentar no perfil, e o engajamento autêntico, que são as interações identificadas pela ferramenta de análise como feitas por pessoas reais. Outra medição que pode ser utilizada é o índice de qualidade de audiência, que faz o cruzamento de métricas.

Esse é o primeiro estudo feito pelo CooLAB, uma nova área do NiMD criada para desenvolver análises com a colaboração de professores, alunos e ex-alunos. O objetivo foi identificar seguidores falsos e sua interferência no engajamento dos perfis que utilizam o Instagram para expor seu cotidiano e estilo de vida.

“Este é um ponto fundamental e que chama a atenção das empresas, que desejam saber o retorno efetivo sobre o investimento que fazem em campanhas utilizando influenciadores digitais”, afirma Eric Messa.

As 25 influenciadoras selecionadas para o estudo foram divididas em cinco grupos, a partir do número de seguidores: celebridades (com mais de 1 milhão); influenciadores digitais (com mais de 1 milhão); influenciadores que possuem entre 200 mil e 500 mil; influenciadores que possuem entre 20 mil e 50 mil; e microinfluenciadores, que possuem entre 3 mil e 10 mil seguidores.

Engajamento

De acordo com os dados analisados pela ferramenta de inteligência artificial, em geral, quanto maior o número de seguidores, menor o índice de engajamento obtido pelo perfil. Microinfluenciadores com até 10 mil seguidores costumam ter uma interação proporcionalmente maior em suas publicações.

No entanto, o percentual de engajamento autêntico (interações feitas por pessoas reais) é maior – em torno de 60% — entre os perfis de celebridades com mais de um milhão de seguidores. No caso de influenciadores digitais, o índice fica por volta de 45%.

Outro dado relevante é que o percentual de pessoas reais que seguem um perfil diminui um pouco conforme também cai o volume de seguidores. Com isso, microinfluenciadores possuem uma porcentagem de pessoas reais entre seus seguidores menor do que um influenciador digital ou celebridade com mais de 1 milhão de seguidores.

Diante desse resultado, o estudo comprova que o percentual de “seguidores em massa” (pessoas ou aplicativos automatizados que seguem mais de 1.500 perfis no Instagram) de um microinfluenciador também é maior, se comparado aos outros grupos.  Isso acontece, segundo o professor Eric Messa, em razão estratégia utilizada para angariar seguidores e ampliar o alcance do perfil. É comum a prática de seguir muitas pessoas, e outros influenciadores, na expectativa que eles sigam de volta.

Um dado revelador é que “além de se tratar de uma prática comum entre os influenciadores com menos público, parece que esse comportamento é maior entre os brasileiros, que tendem a seguir mais perfis no Instagram, se comparados a influenciadores de outros países com mesmo número de seguidores”, explica o professor Eric.

O estudo completo desenvolvido pelo CooLAB, da FAAP, pode ser baixado no link: www.faap.br/nimd. Nele, é possível visualizar todos os detalhes e quadros comparativos dos cinco grupos analisados. O objetivo do novo grupo é apresentar dados e insights em prol do desenvolvimento dessa área. “É de extrema importância o desenvolvimento de estudos sobre influenciadores digitais brasileiros, uma vez que há um movimento de crescimento dessa área, a partir do envolvimento de grandes empresas, mas faltam referências e, de um modo geral, mais maturidade”, finaliza o professor.

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