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Cosmetic InnovationArtigos TécnicosManteiga de Cupuaçu: promissor fruto da biodiversidade brasileira para o mercado mundial de cosméticos naturais

Manteiga de Cupuaçu: promissor fruto da biodiversidade brasileira para o mercado mundial de cosméticos naturais

  • Written by:
Gabriela Rocha, Rodovia SP 197, KM 18 – Torrinha/SP- ZIP Code: 17.360-000 grocha@citroleogroup.com
Rafaella Tomazini Candido, Rodovia SP 197, KM 18 – Torrinha/SP – ZIP Code: 17.360-000 rtomazini@citroleogroup.com
Flávia F.J. Batistela, Rodovia SP 197, KM 18 – Torrinha/SP- ZIP Code: 17.360-000 fjesuino@citroleogroup.com

Resumo

O presente trabalho objetivou apresentar todas as características marcantes da manteiga de cupuaçu, sua composição e principais atributos de interesse para os mercados nacional e internacional de cosméticos. Ainda, avaliaram-se os parâmetros envolvidos na produção da matéria-prima e como eles podem impactar na qualidade final do produto. Assim, este estudo teórico mostrou a importância de se manterem conservadas os componentes naturalmente presentes no fruto, através do tratamento correto das sementes, assim como realizado pelo Grupo Citróleo. Além disso, os aspectos sociais da produção foram ponderados, mostrando que somente com a inclusão de comunidades e produtores locais é que realmente mantém-se real a sustentabilidade da industrialização de fontes renováveis da biodiversidade brasileira.

Introdução

O “Cupuaçuzeiro” (Theobroma grandiflorum), árvore que gera o fruto cupuaçu, é uma das mais importantes árvores frutíferas da Amazônia Brasileira. Da mesma família que pertence à árvore do cacau, Sterculiaceae, o seu porte médio varia de 4 a 8 metros de altura, podendo chegar até 18 metros. É facilmente encontrado na Amazônia Oriental, além de outros estados.

Os frutos têm forma alongada, com as extremidades arredondadas e são do tipo bacáceo (que tem bagas). A casca é rígida e lenhosa, enquanto que a polpa interior é suculenta, cremosa e de sabor característico. As sementes (cerca de 20 a 30) são grandes, ovaladas e ficam aderidas à polpa. O cupuaçu é o maior fruto do gênero Theobromae a sua demanda é crescente devido à sua vasta aplicação, tanto na indústria alimentícia, na forma de doces, sorvetes, licores, quanto na indústria farmacêutica e cosmética, na forma de shampoos, cremes, loções corporais, maquiagens dentre outros que serão mostrados adiante (MÜLLER et al., 1995).

Neste sentido, alguns autores consideram o cupuaçu um dos mais promissores frutos da Amazônia: é amplamente aprovado nos mercados nacional e internacional, com potencial econômico para industrialização e comercialização. A Citróleo, uma empresa nacional, presente no mercado há mais de 33 anos, oferece uma linha de produtos naturais extraídos de fontes sustentáveis da biodiversidade brasileira, incluindo a manteiga de cupuaçu.

A manteiga de cupuaçu é obtida a partir da semente do fruto. Depois de separadas das cascas e da placenta (pedúnculo de sustentação da semente na polpa), essas sementes passam por um processo de fermentação controlada. Em seguida, as sementes são prensadas, o que resulta então na manteiga de cupuaçu, um sólido com aspecto ceroso de cor branca a levemente amarelada.

Toda a cadeia de valor na produção da manteiga, desde extração do fruto, até processamento tem impacto direto no produto final. Se conduzida de maneira sustentável, sem agredir o ambiente nativo, a obtenção da manteiga de cupuaçu mantém garantidas todas as propriedades de interesse e ainda gera renda e qualidade de vida aos produtores rurais locais. Assim, o presente trabalho almeja investigar todos os aspectos envolvidos com a manufatura da manteiga de cupuaçu, bem como seus principais atributos e aplicações no mercado cosmético global.

MATERIAIS E MÉTODOS

Todo este estudo será conduzido a partir da literatura existente sobre o tema, bem como com resultados e conhecimentos produzidos e alcançados pelo Grupo Citróleo ao longo dos seus anos de atuação na área.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A manteiga de cupuaçu é um lipídeo, composto por triglicerídeos cuja estrutura é uma composição equilibrada entre ácidos graxos saturados e insaturados, o que confere ao produto um baixo ponto de fusão (aproximadamente 30°C) e aspecto de um sólido macio que funde rapidamente ao entrar em contato com a pele.

Com relação a essa composição graxa, fração saponificável, a manteiga de cupuaçu se assemelha à manteiga de cacau. É uma manteiga majoritariamente oleica (18:1 – 39,55% – ômega 9), um ácido graxo insaturado, e esteárica (18:0 – 35,08%), um ácido graxo saturado, balanço esse que confere a essa manteiga características muito interessantes. Ainda é composta por ácidos graxos araquídico (20:0 – 11,72%), palmítico (16:0 – 7,14%), ômega 6 (18:2 – 3,39%), além dos ácidos lignocérico e ômega 3 (<1,00%) e láurico, mirístico, ômega 7 e margárico (<0,01%).

Na sua fração não saponificável, que corresponde à aproximadamente 0,81% da composição total, são encontrados os seguintes compostos: os tocoferóis γ-tocoferol (8,9%), β-tocoferol (4,2%) e β-tocotrienol (3,7%), representantes da vitamina E, com poder antioxidante (reduzem o estresse oxidativo das células por serem carreadores de radicais livres – SERRA et al., 2016); os fitoesteróis β-sitosterol (78,56%), estigmasterol (10,35%) e campesterol (4,4%), que atuam como repositores da barreira lipídica da pele, diminuindo seu ressecamento e sua desidratação. Além disso, ainda foram encontradas na manteiga de cupuaçu a vitamina C, A, B1 e B2, xantinas, flavonoides, pectina, cálcio, magnésio, potássio, fósforo, zinco, cobre, manganês e ferro.

Os triglicerídeos das sementes do cupuaçu, como já adiantado, apresentam excelente capacidade de absorção de água (estabiliza emulsões e auxilia nas propriedades de hidratação). Um dado interessante é que o potencial de absorção de água desta manteiga pode chegar a 240%, superior ao da lanolina e de alguns esteroides animais e vegetais mais comuns para este fim. Devido a isto, a manteiga de cupuaçu pode ser utilizada como pomada para proteção de rachaduras e fissuras na pele, emulsões pós-barba e máscaras capilares. Além disso, a manteiga apresenta certa capacidade de absorção dos raios UVB e UVC, de maneira que alguns protetores solares – elaborados a base da manteiga de cupuaçu, já começam a fazer parte do mercado nacional e internacional (ARAÚJO et al., 2007).

Pesquisadores da área e as principais indústrias de cosméticos têm descoberto e comprovado a eficácia da manteiga de cupuaçu, devido a suas propriedades emoliente, hidratante e cicatrizante. Juntas, possibilitam uma redução considerável no processo de desidratação e envelhecimento da pele bem como o tratamento de dermatites e ulcerações. Dessa maneira, uma profusão de produtos para beleza pode ter em sua constituição a manteiga de cupuaçu, desde produtos para cabelo, pele, itens de higiene pessoal até a maquiagens e formulações faciais.

Inclusive, alguns deles já possuem a manteiga de cupuaçu como ingrediente ativo e responsável pelas características principais de sua composição. São eles: os shampoos para cabelos secos quebradiços e quimicamente tratados, cremes para queimaduras e tratamento de dermatites, loção para as mãos e pés, batons e lipsticks hidratantes, desodorantes cremosos, sticks, além de produtos infantis e anti-idade.

A manteiga de cupuaçu produzida pela Citróleo vem da sua subsidiária Amazônia em Gotas em Santa Luzia do Pará, com total controle de rastreabilidade. A colheita das sementes ocorre durante a época de chuva, quando a fruta se desprende da planta, de maneira natural, respeitando-se assim o seu tempo de maturação. Os frutos são então selecionados de maneira completamente não agressiva ao meio ambiente. O centro dessa colheita ocorre nas residências dos chamados catadores, um total de pelo menos 15 famílias beneficiadas.

Figura 1. Fruto do cupuaçu na colheita natural promovida pelo Grupo Citróleo.

Um segundo diferencial a ser destacado nas manteigas vegetais produzidas pela Citróleo é que, durante o seu processo de obtenção, elas não são submetidas à etapa de refino. Seria neste estágio que eles são expostos a elevadas temperaturas, a fim de serem neutralizadas, clarificadas e desodorizadas. Entretanto, esse tipo de técnica degrada aquelas diversas biomoléculas de alto valor nutricional, naturalmente presentes nos óleos e manteigas, supracitadas neste texto. Já no processo de obtenção via prensagem a frio, utilizada pela Citróleo são preservados seus compostos e garantidas as suas propriedades, uma vez que não passam pelo estresse térmico do refino.

Além disso, a empresa não realiza nenhum tipo de mistura (blend) para adulteração das manteigas que produz, uma vez que, os óleos usados para este fim não possuem nenhum benefício nutricional ou algum valor que possa ser agregado em um cosmético final. Assim, os produtos vegetais oferecidos pela Citróleo mantêm também conservados os seus aspectos naturais, tais como cor e odor característicos, forma física e concentração real das substâncias de interesse.

Os fitocosméticos que utilizam matérias-primas amazônicas carregam em sua formulação toda a cultura local do povo e o apelo exótico dos frutos, princípios tão fundamentais quanto a eficácia dos produtos. Assim, conscientizada pela importância de toda a cadeia de produção envolvida, os consumidores procuram cada vez mais por rótulos de produtos não somente com apelos éticos mas também  com responsabilidade socioambiental. A Citróleo preocupa-se com o futuro e bem-estar dos seus colaboradores. Por isso,

utiliza-se de conhecimento e cultura locais aliada com técnicas modernas e de alto padrão de qualidade para obtenção de seus insumos e distribuição para todas as regiões do mundo. A empresa tem o compromisso de apoiar projetos e iniciativas sociais nas comunidades próximas à produção dos seus insumos vegetais, dando suporte a diversas atividades relacionadas às áreas de Saúde, Educação, Esporte e Meio Ambiente.

CONCLUSÃO

Dentro de todo espectro da cosmética amazônica pode-se destacar a manteiga de cupuaçu pelos seus mais diversos benefícios em aplicações cosméticas: emoliente, umectante, hidratante, cicatrizante. Ainda pode-se ressaltar que esta manteiga, devido ao equilíbrio graxo de sua composição, oferece às formulações características sensoriais muito interessantes e almejadas, como toque seco, maciez e odor natural agradável. Alinhado com uma nova forma consciente de consumo, o Grupo Citróleo mantém sua cadeia de produção de óleos e  manteigas vegetais amazônicos, como a manteiga de cupuaçu, completamente transparente e rastreável. Representando ainda um novo olhar de inovação e consciência socioambiental, a Citróleo não realiza qualquer tipo de processamento em sua matéria-prima, como o refino com solventes à altas temperaturas e dá todo suporte e atenção às famílias e comunidades produtoras.

REFERÊNCIAS

MÜLLER, C. H.; FIGUEIREDO, F.J.C.; NASCIMENTO, W.M.O. do.; GALVÃO, E.U.P.; STEIN, R.L.B.; SILVA, A. de B.; RODRIGUES, J.E.L.F.; CARVALHO, J.E.U. de.; NUNES, A.M.L.; NAZARÉ, R.F.R. de.; BARBOSA, W.C. A cultura do cupuaçu. Brasília: Embrapa-SPI, 1995. 61 p. (Embrapa-SPI. Coleção Plantar, 24).

ARAÚJO, V. F.; PETRY, A. C.; ECHEVERRIA, R. M.; FERNADES, E. C.; PASTORE JR, F. Plantas da Amazônia para produção Cosmética; Projeto ITTO PD 31/99 “Produção não madeireira e desenvolvimento sustentável na Amazônia” Universidade de Brasília- UnB, p. 214, junho, 2007. SERRA, J. L.; RODRIGUES, A. M. C.; da SILVA, L. H. M.; MEIRELLES, A. J. de A.; DARNET, S. Oils and fats of 12 Amazonian plants: A determination of fatty acids, tocols and total carotenes reveals new sources for industrial use. Anais do XXV Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos. FAURGS, Gramado/RS. 2016.

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