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Cosmetic InnovationEmpresas & NegóciosMatérias-primas da Amazônia entram no mercado americano

Matérias-primas da Amazônia entram no mercado americano

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Ingredientes naturais chamam atenção de público exigente que prefere produtos sustentáveis

Mais do que simples componentes da natureza, alguns dos produtos originários da biodiversidade brasileira conquistam, cada vez mais, o mercado americano de beleza por possuírem propriedades capazes de promover os cuidados faciais, corporais e capilares de maneira natural e eficiente.

Entre eles estão o murumuru, cupuaçu, pracaxi e o babaçu. As mulheres americanas se tornaram mais seletivas em relação aos produtos que adquirem, segundo revela um estudo realizado em 2017 pelo NPD Group, uma consultoria especializada em consumo. No maior mercado mundial consumidor de cosméticos, 48% das entrevistadas procuram por produtos feitos com ingredientes naturais e orgânicos. Além disso, ao avaliar os itens mais consumidos no país, a categoria de cuidados com a pele é a que mais se destaca, com um aumento de 9% nas vendas, o que representa uma contribuição de 45% nos ganhos totais do setor.

Uma das empresas brasileiras que exporta ingredientes amazônicos para os Estados Unidos é a Beraca, que atua no fornecimento de matérias-primas naturais e sustentáveis provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, cuidados pessoais e farmacêutica.

Entre os produtos da biodiversidade brasileira que fazem muito sucesso nos EUA, atualmente, destaque para o cupuaçu, popularmente utilizado na culinária nacional, e que tem capacidade de promover hidratação duradoura devido à alta capacidade de recuperação da elasticidade da pele.

Soluções naturais

“A vegetalização das fórmulas e a substituição de componentes químicos por soluções naturais e sustentáveis ganha força em todo o mercado”, destaca Marianna Cyrillo, gerente de marketing da Beraca. Hoje, alguns dos ingredientes exportados pela empresa para os EUA são: argila branca da Amazônia, óleo de maracujá, óleo de babaçu, manteiga de cupuaçu, manteiga de murumuru e óleo de pracaxi.

O óleo de pracaxi possui capacidade de auxiliar na redução da síntese de melanina, o que garante a diminuição da aparência de manchas, uniformiza a tonalidade e restaura a luminosidade original da pele. Ele ainda possui benefícios anti-envelhecimento, pois estimula a produção de ácido hialurônico, polissacarídeo natural presente na pele humana com alta capacidade de retenção de água, garantindo elasticidade e viço à pele. Já o murumuru é rico em ácido láurico, mirístico e oleico, o que o torna um poderoso agente emoliente, capaz de nutrir e hidratar os cabelos. Com ação antifrizz, ele reduz o volume e proporciona maciez e brilho aos fios.

Comunidades

Além de propriedades cosméticas únicas, esses ingredientes garantem também o desenvolvimento socioeconômico e a preservação ambiental no Brasil. Isso porque, para que essas matérias-primas cheguem até as indústrias, algumas empresas investem em parcerias com comunidades ribeirinhas e núcleos de agricultura familiar de diferentes regiões do país, como a floresta amazônica. A estratégia garante a rastreabilidade total, métricas de impacto e a transparência em toda a cadeia produtiva.

Embora possua a maior biodiversidade do planeta, cujo valor é estimado em mais de US$ 3 trilhões por pesquisadores, a Amazônia brasileira ainda tem seu potencial subestimado, principalmente no que diz respeito a produtos de higiene, cosméticos e perfumaria com base florestal. Para mudar esse quadro, o Sebrae Nacional colocou em prática há três anos um projeto para estruturar o segmento industrial nos sete estados da região Norte (Acre, Amazonas, Maranhão, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins).

Potencial

Para se ter uma dimensão do potencial econômico dessa biodiversidade, basta dizer que atualmente o uso industrial de matéria-prima da região para produtos do segmento de cosméticos está concentrado em apenas 20 espécies vegetais, dentre as quais se destacam a castanha-da-Amazônia, andiroba, copaíba, cupuaçu, guaraná, buriti, açaí, entre outras de onde se extrai óleos e essências. O levantamento faz parte da tese de doutorado do pesquisador Francisco Elno, da Fundação Centro de Análises e Pesquisas e Inovação Tecnológica (Fucapi), com sede em Manaus.

O empresário Francisco Aguiar, proprietário da Amazon Green, há oito anos no mercado, confirma essa realidade. “Hoje, o óleo de Karité é extraído para produção de manteiga labial. Só que o óleo de açaí, que ainda não é explorado comercialmente, é 440% mais rentável. Esse projeto será a salvação da lavoura”, afirma.

O potencial da região desperta o interesse de empresas de outros países na biodiversidade da Amazônia. Contudo, o pleno desenvolvimento dessa cadeia produtiva na região esbarra na baixa qualidade dos insumos extraídos da floresta e na ausência de laboratórios e equipamentos para agregar valor aos produtos.

Lei da Biodiversidade

Outro impedimento é a falta de regulamentação da Lei da Biodiversidade, ainda em tramitação no Congresso Nacional, que orienta a pesquisa de novos produtos e a repartição com as comunidades tradicionais extrativistas dos ganhos obtidos a partir da venda de produtos por parte da indústria da beleza.

Das 2.446 indústrias brasileiras atuando no mercado de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, 95% são micro e pequenas empresas, e apenas 48 estão localizadas na região Norte, principal foco da atuação do Sebrae no projeto.

Fundada há mais de 50 anos, a paraense Chamma da Amazônia é uma das empresas de pequeno porte que investem no potencial da maior floresta tropical do mundo para o desenvolvimento de seus produtos.

Mercado da beleza no Brasil:

1º no ranking mundial em consumo de perfumaria e desodorantes;

2º colocado em produtos para cabelo, masculinos, infantil, banho, depilatórios e proteção solar;

3º lugar em cosméticos e cores;

4º em higiene oral;

5º em produtos para pele.

Em 2013, o Brasil respondeu por 9,5% do consumo mundial (US$ 289 bilhões) e 54,5% do mercado latino-americano.

Fonte: Correio 24 Horas

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