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Cosmetic InnovationColunistasVocê ainda pensa em inovar sozinho?

Você ainda pensa em inovar sozinho?

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Startupeiro, ecossistema e open innovation. Se esses termos não fazem parte do seu cotidiano, para tudo e corre atrás do prejuízo. Seu concorrente pode estar anos-luz na sua frente se ele já estiver ligado no poder de inovação das startups.

De acordo com Bruno Rondani, fundador e CEO da 100 Open Startups, “as grandes empresas já perceberam que é muito melhor estar perto da inovação do que tentar inovar sozinha”. “Se para as gigantes é necessário, para os menores não têm outra alternativa”, afirma.

Segundo ele, uma das indústrias que mais fazem open innovation (inovação aberta) é a farmacêutica, um setor de base científica demandante de inovação que abriu mão de um “P&D fechado” para ter uma capacidade de inovação mais rápida e mais completa. “O setor cosmético costuma ir de carona no farmacêutico”, diz.

E a inovação por meio de ideias e produtos advindos de startups já é realidade para algumas empresas de higiene e beleza atuantes no  Brasil, como Johnson & Johnson, Boticário, Natura e L’Oréal, que estiveram presentes na nona edição da Open Innovation Week – Oiweek, realizada em São Paulo, de 21 a 22 de fevereiro. As duas primeiras, com palestra e mesa de negócios, a Natura apenas com mesa de negócio e a L’Oréal como visitante.

Oiweek debate open innovation e atrai empresas que querem garimpar ideias inovadoras de startups

Plugada nas startups

A Johnson & Johnson – talvez até por ter um pé no setor farma – parece ter despertado cedo para o poder de inovação das startups. O lema atual da empresa é acessar a inovação onde quer que ela esteja. Para isso, a companhia conta com um poderoso braço de negócio para parcerias com capital de risco, o JJDC – Johnson & Johnson Development Corporation. De sua fundação em 1979 até o fechamento desta reportagem, haviam sido realizados 130 investimentos em 81 empresas. Para impulsionar a inovação, a J&J tem ainda o JLabs, que possui  sete incubadoras nos Estados Unidos, que abrigam 125 empresas residentes. “Nosso papel é de co-criador para fazer com que essas empresas sejam melhores e maiores”, afirma John Bell, vice-presidente global para Inovação Externa e Novos Negócios da J&J.

Uma das inovações mais relevantes da J&J neste modelo de negócios é a nova máscara de led da marca Neutrogena para tratamento da acne, que deve chegar ao País no segundo trimestre deste ano. Segundo Bell, tudo começou em 2014, quando a companhia americana investiu nessa ideia. “Auxiliamos a startup a desenvolver o produto”, conta. “Sua missão era provar cientificamente que a máscara funcionava, que tinha mercado, ou seja, que as pessoas queriam esse produto, e obter a aprovação regulatória”.

Nova máscara de led da marca Neutrogena

Em setembro de 2015, a J&J comprou essa startup. “Levamos 12 meses para rearranjar a companhia e lançar o produto, que chegou às prateleiras no final de 2016”, afirma o executivo. Segundo o portal Crain’s Cleveland Business, a J&J investiu US$ 20 milhões na La Lumiere, empresa fundada por Jay Tapper, desenvolvedora da máscara.

Um outro exemplo de inovação que deve vir pela J&J (desta vez na área de higiene oral) é a parceria com a Biomedx. A startup ouviu mais de 300 especialistas em remoção do biofilme dental para um novo produto de higiene bucal. “Desses 300, selecionaram 15 e agora na fase final temos os três melhores cientistas do mundo trabalhando para solucionar a questão de como romper o biofilme para um projeto da J&J”, conta o executivo.

De acordo com Bell, a empresa é aberta para negociar com startups. Ele finaliza sua palestra no Oiweek dizendo: “Queremos ser parte de uma escolha, realizamos parcerias em diferentes modelos. Apenas nos conte suas ideias”.

John Bell: queremos ser parte de uma escolha, apenas conte-nos suas ideias

E as brasileiras?

Iniciativa recente do Grupo Boticário mostra que eles querem trazer as inovações das startups para dentro de casa. O percurso até chegar à fase madura que se encontra a J&J é muito longo, porém o anúncio da primeira incubadora no final do ano passado parece ser um começo. Segundo Rodrigo Ribeiro, gerente de Arquitetura, Inovação e Governança do grupo, o BotiLabs tem o papel de promover a transformação do analógico ao digital, acerar a inovação e agregar valor ao negócio.

Atualmente, o grupo atua em três frentes na área de inovação: Projetos (soluções digitais para varejo e indústria, primeira parceria com startups e desenvolvimento de fornecedores), Cultura (reforma do escritório, roadshows e desenvolvimento de marca e benchmarking) e Planejamento (definição de escopo atual e futuro, definição de regras de negócio e projeto de time e estrutura).

Já a Natura trabalha com open innovation desde 2000. “Temos processos mais estruturados do que outras empresas, pois nos organizamos há muito tempo”, afirma Alessandro Mendes, diretor de inovação da Natura. “Para inovar, você precisa estar perto de quem realmente está realizando inovações relevantes, pois sozinho você não consegue acompanhar todas as tendências e gerar tantos conhecimentos em múltiplas áreas”, explica.

Um dos seus diferenciais é atribuir a responsabilidade pela busca de inovações externamente a todas as áreas da empresa, cada um com foco na sua expertise. À área de inovação, cabe manter o radar aberto e apoiar as áreas no desenvolvimento dos parceiros.  De acordo com o executivo, a Natura não investe em startup; busca parceiros que já tenham pelo menos o protótipo e contribui para que a startup se desenvolva e ingresse no mercado. A empresa realiza a mentoria e compra o produto, mas não aporta capital. “A gente trabalha em conjunto com as startups a partir das suas necessidades, mas sempre com foco na demanda da Natura”, explica.

A Natura participa de diversos eventos de open innovation e empreendedorismo no Brasil (principalmente) e no exterior, para encontrar novas parcerias e fazer negócios, de forma multidisciplinar, desde a fábrica até o comercial. “O ecossistema brasileiro está amadurecendo, quem quiser investir neste modelo de negócios ainda dá tempo”, recomenda Alessandro Mendes.

Startups cosméticas

Na nona edição da Oiweek, mais de 150 startups apresentaram seus projetos a executivos de grandes empresas nacionais e internacionais, como IBM, Microsoft, Johnson & Johnson e Natura, entre muitas outras. No meio desta centena de novos negócios, apenas três com aplicações específicas para o mundo cosmético.

A Sugarzyme atua em biotecnologia e está na fase de desenvolvimento de produtos sustentáveis para as indústrias cosmética e farmacêutica. Sediada na Incubadora da Universidade do Vale do Paraiba (UNIVAP), a startup apresentou na Oiweek ativos obtidos da biomassa para coloração permanente capilar, em substituição a agentes químicos como o peróxido de hidrogênio. Na opinião da fundadora e diretora executiva Rosa Maria Biaggio, o setor cosmético ainda está começando a olhar para as startups e a criar modelos de negócio. A Sugarzyme participa do Pipe-Fapesp, programa de incentivo à pesquisa e inovação no Estado de São Paulo, que além de mentoria prevê investimento de capital, e ainda não fechou parcerias na área cosmética.

A New Tissue também atua em biotecnologia e também está em fase de desenvolvimento de produto. Sua proposta é promover o teste de segurança de dermocosméticos e fármacos em pele artificial. Bibiana Franzen Matte, fundadora da startup, conta que o produto vem de encontro à proibição de testes em animais a partir de 2019. O cliente entrega o produto para teste e a New Tissue aplica-o em sua matriz de cultura celular (pele artificial). Inicialmente, os testes serão de irritabilidade e corrosividade. “A princípio é um produto novo, ninguém no Brasil faz esse teste in loco comercialmente”, explica a empreendedora. “Um dos problemas é a regulamentação, porém conseguimos com a L’Oréal um canal de entrada para participar dessas discussões”.

Essas foram as duas startups participantes que apresentaram novidades específicas para cosméticos, mas como sempre acontece nesses eventos, o networking está no ar. Eu estava comprando um sanduíche na bike food quando conheci o Paulo Pinheiro, fundador da Hoo.box, uma plataforma de inteligência artificial baseada em expressões faciais, com detalhamento minucioso de cada movimento. A plataforma nasceu em maio de 2016 e identifica gênero, idade, traços faciais e rugas em apenas 12 segundos. Segundo o startupeiro, já foram firmadas três parcerias para o desenvolvimento do produto: uso da expressão facial para controlar cadeira de rodas, sistema de monitoramento para motoristas, e comunicação por meio de expressão facial (esta com a Intel). Eles pensam num quarto produto para recomendação de cosmético a partir de análise facial. Esta aplicação está suspensa no momento pois a startup não conseguiu firmar parceria para viabilizá-la. As promotoras de beleza que se cuidem…

Vídeo de demonstração do Hoo-box

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